Como se preparar para o Parto Normal?

Por volta de 1914, Grantly Dick Read, médico obstetra inglês, acreditava que “nenhuma lei natural pode justificar o sofrimento no parto.” Para ele a “confiança, compreensão e ausência de medo” são os fatores essenciais para um parto sem dor. Em 1933, Read publicou seu primeiro livro, intitulado “Natural Childbirth”, resumindo suas ideias sobre a influência dos fatores emocionais na evolução do parto. Exibiu a tríade “Medo – Tensão – Dor” como responsáveis pela dor e desconforto do parto natural. Declarou que a civilização, superstição e a cultura influenciam fortemente a mulher, contribuindo para o medo e angustia referentes ao parto.

Quando a gestante entra em trabalho de parto com medo, faz com que gere uma tensão, que é denominada de tensão protetora; impedindo a coordenação da contração muscular, que não é somente mental, mas influencia diretamente na tensão das fibras musculares, podendo dificultar a dilatação do colo uterino. Read explica esse mecanismo da dor, como a falta de coordenação das fibras uterinas.

Read explicava que a gestante é anatomicamente perfeita e quimicamente equilibrada, por isso, deveria apresentar-se emocionalmente bem, mantendo-se dentro de um limite de normalidade, devendo evitar o início dos reflexos produtores de tensão. Ao explicar o mecanismo nervoso pelo qual o medo causa a dor da contração uterina, Read sintetizou seu conceito:

  • Mulher tensa = colo tenso.
  • Mulher em relaxamento = colo dilatável.

      Ao identificar as causas do medo, Read mencionou alguns recursos para eliminá-lo. Buscou, através da sua teoria, demonstrar que o relaxamento físico e psíquico é o meio para combater o medo e vencer a tensão. Portanto é recomendado que a gestante passe por uma educação, com aulas explicativas sobre todo o processo de gestação, pré-parto, parto e pós-parto. Ensinar sobre o relaxamento, tanto físico muscular, quanto psíquico, técnicas de respiração e atividades físicas. Devem incluir aulas teóricas sobre anatomia e fisiologia, relacionadas à gestação e ao parto. As aulas têm que ser informativas e agradáveis, dando, oportunidade para que as gestantes perguntem e esclareçam dúvidas.

Toda mulher fisiologicamente nasceu para parir. Preparar-se para o parto não é aprender a parir. É aprender a sentir seu próprio corpo e seu instinto com mais facilidade. Para alcançar esses objetivos, a doula, que tem como função informar e dar todo suporte emocional e explicativo para a gestante, juntamente com a fisioterapia obstétrica realiza a preparação global do corpo, e dos músculos do assoalho pélvico, a região do períneo. Não apenas para o parto, mas também para a gravidez e pós-parto.

Durante o parto os músculos do assoalho pélvico precisam relaxar e alongar; geralmente quanto maior sua flexibilidade e elasticidade, menores são as chances de lesões ou lacerações na região perineal. Por isso, a fisioterapeuta trabalha o alongamento dessa musculatura e no final da gestação, treina seu relaxamento no momento de expulsão. A maioria das mulheres quando aprendem o movimento correto de expulsão pela vagina, se surpreendem em saber que não é o mesmo feito para evacuar.

A Fisioterapia não deve ser realizada somente por gestantes que buscam o parto normal, ao contrário do que a maioria pensa, devemos lembrar que a gravidez em si gera intensa sobrecarga na musculatura, nas articulações, tendões e nos ossos. Com o passar dos meses a postura da mulher se modifica e o bebê representa uma demanda extra para o corpo dessa gestante. Os músculos do assoalho pélvico enfraquecem; pois recebem essa sobrecarga diretamente, mesmo nos partos cesarianos, devido ao aumento do peso e às alterações hormonais da gravidez e pós-parto.

Por isso, desde o início da gestação (até mesmo antes de engravidar), a mulher deve passar por uma avaliação fisioterapêutica, cuidar do seu corpo para uma boa preparação para o parto – ter uma alimentação equilibrada, realizar atividade física direcionada, fazer exercícios específicos para os músculos do assoalho pélvico, cuidar da postura, ter um acompanhamento psíquico emocional, munir-se de toda informação necessária para esse momento especifico, não ter dúvidas quanto aos seus desejos, suas vontades e seus direitos. Assim, independentemente da via de parto, terá maiores chances de uma gravidez e pós-parto saudáveis, com qualidade e bem-estar.

Autoria: Drª Gabriella Machado, Fisioterapeuta Pélvica e Doula. Goiânia-GO

REFERÊNCIA:

FREDDI, Wanda Escobar da Silva. PREPARO DA GESTANTE PARA O PARTO. Rev. Bras. Enferm.,  Brasília ,  v. 26, n. 3, p. 108-120,  June  1973 .

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