A Gravidez e suas Estranhezas

É no período da gestação que vivenciamos uma verdadeira montanha russa de sentimentos. E por que não dizer que esses sentimentos são confusos e complexos?

Após o resultado positivo somos tomadas pela euforia em compartilhar com nossos familiares e amigos a notícia de que a família vai crescer. E quando nos damos conta, não falamos de outra coisa, a nossa vida gira em torno dos planos, e da alegria da espera . Sem contar as horas que passamos na internet lendo tudo sobre o desenvolvimento do nosso bebê, semana a semana.
E, apesar de tanta felicidade, em meio a tantas alterações hormonais e mudanças físicas, temos a percepção de que o nosso mundo parece estar encolhendo. Não conseguimos manter um longo diálogo com amigos que não nos remeta a gravidez, são tantos “hum, hum” (“não estou interessada nesse assunto”) que nos encolhemos num mundo muito particular e cheio de sentimentos revelados apenas para nós mesmas. Até que os amigos se distanciam ou desaparecem sem nos darmos conta

Mas, tudo bem, não somos mais as mesmas, agora temos outras preocupações, um enxoval para providenciar, consultas e mais consultas. Precisamos cuidar dos preparativos para o bebê que vai nascer. Temos uma lista de questões infindáveis que nos consome.

Segundo a Psicóloga Chirle Morgenstern Marca, durante a gravidez, nós mulheres acarretamos mudanças não só físicas e emocionas, mas também sociais. De modo que no primeiro trimestre atravessamos por movimentos de transformações interpessoais e intrapsíquicas. Experimentamos a ambivalência afetiva, nos sentimos felizes e realizadas pela gestação, mas, ao mesmo tempo, nos deparamos com as transformações e reflexos que implicam sentimentos de ansiedade, angustia, insegurança e em algumas situações pode haver rejeição da gravidez. É uma fase em que a percepção sobre a gravidez não se concretizou amplamente, a barriga não está saliente e o bebê não é sentido efetivamente.

Já no segundo trimestre, ocorre à materialização da gravidez de fato pelas mudanças físicas e presença dos batimentos cardíacos e movimentos fetais. A conhecida fase de consolidação psíquica, o que traz certa tranquilidade.
O terceiro trimestre é a reta final da gestação, e com ele outras dimensões acometem as mulheres pelo medo e ansiedade, muito comum devido à aproximação do parto e todo o contexto que envolve o nascimento, a saúde do bebê e o processo da amamentação.

Sendo assim, é muito importante que durante toda a gestação mulheres grávidas se sintam acolhidas, amadas e se cerquem de pessoas que falem a mesma língua que elas. Pessoas que conversem sobre os mesmos assuntos e abram espaço para troca de experiências mútuas. Desejo que na gravidez essas mulheres tenham com quem dividir a sua luz e escuridão. E que o silêncio e a solidão que as consomem, por medo de que suas inquietações não sejam realmente entendidas, encontrem conforto nos braços da sororidade.

Autoria: Eliene Ueji- Mãe e Doula

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